Um acréscimo às discografias de Pepa Delgado, Chiquinha Gonzaga & Catulo da Paixão Cearense

Pepa Delgado

A Columbia Phonograph Company lançou cerca de 800 fonogramas no Brasil, provavelmente entre 1908 e 1912, segundo a Discografia Brasileira – 78 rpm (Rio de Janeiro: Funarte, 1982). Estes discos possuíam 25 cm de diâmetro; o selo tinha cor violeta, escrito em amarelo dourado; na borda superior aparecia a marca DISCO BRAZILEIRO (como na fotografia ao lado); eram gravados apenas em um dos lados. As gravações eram feitas no Brasil e os discos fabricados nos Estados Unidos. Foram lançadas duas séries inicialmente, 11.000 e 12.000. Posteriormente, os mesmos fonogramas foram relançados em discos gravados em ambos os lados, com selos verde ou azul escuro. Mas a maior parte das gravações lançadas pela Columbia no Brasil  se perdeu no tempo e permanece desconhecida atualmente.

Tive oportunidade de conseguir um exemplar do disco Columbia 11.732, que é muito raro e aparentemente não foi citado até então na literatura ou em outro meio. Também não consta em coleções importantes como a do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, do Instituto Moreira Salles, a Coleção Leon Barg ou a coleção do Museu do Disco de Miguel Nirez de Azevedo.

Este disco traz a gravação de uma canção de título Não perguntes, com melodia de Chiquinha Gonzaga e letra de Catullo da Paixão Cearense, gravada pela Pepa Delgado

Pepa Delgado (1887-1945) foi atriz de teatro e cinema, além de ter sido uma das cantoras brasileiras mais afamadas das primeiras décadas do século XX, embora, assim como outros artistas do seu tempo, infelizmente tenha sua biografia muito pouco conhecida e seu nome pouco falado nos dias de hoje. Os nomes de Chiquinha Gonzaga e Catullo da Paixão Cearense permaneceram mais no tempo e acredito que dispensem maiores apresentação no momento.

A melodia gravada no disco em questão ganhou também uma outra letra, feita pelo poeta Casemiro de Abreu, com a qual ficou mais conhecida.

O site Chiquinha Gonzaga.com, que busca listar a obra completa da maestrina, traz esta canção associada à letra de Casemiro de Abreu, com o título Simpatia, acompanhada do seguinte comentário feito por Edinha Diniz, que é atualmente a principal biógrafa de Chiquinha Gonzaga:

“Publicada por Buschmann e Guimarães, essa modinha ficou mais conhecida com o título O que é simpatia?. Fez parte do repertório da cantora Plácida dos Santos e foi gravada em 1999 por Zé Ramalho (voz) com Maria Teresa Madeira (piano). O poeta Casimiro de Abreu (1839-1860) teve seus poemas muito popularizados após sua morte prematura.”

Edinha Diniz em seu livro Chiquinha Gonzaga – uma trajetória (Rio de Janeiro: Editora Record: Rosa dos Tempos, 1999), além de não citar o disco Columbia 11.732 nem a letra de Catullo, não lista nenhuma outra gravação da melodia em questão.

No livro Chôros ao violão (Rio de Janeiro: Quaresma & C. Editores, 1902), que reúne letras do Catullo da Paixão Cearense, está registrada a letra de Não perguntes, com a seguinte observação ao rodapé: “Música da modinha – Sympathia é um sentimento, de Casemiro de Abreu” (reproduzido abaixo). Esta observação seria suficiente para permitir uma associação da letra de Catullo com a melodia de Chiquinha, mas isto ainda não havia sido feito.

É interessante destacar também que o livro do Catullo traz uma terceira opção de título para esta melodia com letra do Casemiro de Abreu: Simpatia é um sentimento.

A letra de Casemiro de Abreu, com o título O que é Sympathia e a melodia da Chiquinha transcrita para partitura foram publicadas no livro Canções populares do Brazil (Rio de Janeiro: J. Ribeiro dos Santos, Livraria Cruz Coutinho, 1911) (reproduzido abaixo).

A gravação do disco Columbia 11.732 e reproduções das duas letras mencionadas acima, assim como da transcrição da melodia para a partitura, seguem abaixo. É interessante observar que a própria Pepa Delgado faz o anúncio da música no início gravação.

 

 

NÃO PERGUNTES. Do livro Chôros ao Violão, do Catullo, de 1902.

 

 

Agradecimentos 

Agradeço aos pesquisadores Alexandre Dias e Marcelo Bonavides de Castro pelas trocas de idéias e informações sobre este disco.

Ver também 

http://bonavides75.blogspot.com.br/2013/07/pepa-delgado-os-126-anos-da-primeira.html

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