imagem A redescoberta de uma música perdida de Chiquinha Gonzaga

Chiquinha Gonzaga - partitura Julia
Primeira capa da partitura do tango Julia

Chiquinha Gonzaga (1847- 1935) é com certeza a mais celebrada compositora da música popular urbana brasileira dos primórdios do século XX. Seu papel é fundamental no abrasileiramento das danças européias que chegavam ao Brasil na época do segundo reinado, assim como na formação do teatro de revista e na luta pelos direitos autores dos criadores de arte. Além disto, ela extrapolou as barreiras do conservadorismo e do racismo do seu tempo para viver sua arte, seus amores e suas idéias arrojadas, deixando uma trajetória de vida exemplar para gerações futuras.

Edinha Diniz, em seu livro “Chiquinha Gonzaga – uma trajetória de vida” (Rio de Janeiro: Record: Rosa dos Tempos, 1999), listou 283 músicas conhecidas de autoria desta compositora. Outras 28 composições foram listadas e classificadas como “não localizadas”, por que, mesmo depois de sua longa e aprofundada pesquisa, Edinha não encontrou as partituras.

Dentre estas músicas não localizadas estava o tango “Julia”. Edinha, que examinou o extenso arquivo pessoal da Chiquinha, depositado na Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), menciona que esta composição foi listada por João Gonzaga e cita como editor Arthur Napoleão.

Há um anúncio publicado no jornal Diário do Comércio de 26 de fevereiro de 1889

Diário do Comércio, 26 de fevereiro de 1889 - Julia Chiquinha Gonzaga
Anúncio da venda de partituras do tango “Julia”, Jornal do Commercio, 22.02.1889

(disponível online na Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional) de que partituras do tango “Julia” estavam à venda entre novidades musicais lançadas pelos editores Pereira e Araújo para Casa Ao Lambary, situada na Travessa São Francisco de Paula, número 22 A, no Rio de Janeiro (figura ao lado) (comunicação pessoal do pesquisador Alexandre Dias). Edinha Diniz não faz referência a esta notícia em seu livro.

Eu consegui a partitura do tango “Julia” publicado pelos editores Pereira e Araújo não lembro exatamente em que situação. Provavelmente em um lote junto a outras partituras. Logo que descobri que esta partitura não tinha sido encontrada e não estava disponível para o público em geral, tratei de fazer sua digitalização e disponibilizá-la.

É importante observar a discordância entre o editor citado por Edinha – Arthur Napoleão – e o editor da partitura encontrada. A razão desta discordância deve ser esclarecida posteriormente.

Abaixo segue uma cópia da partitura e uma interpretação desta feita pelo pesquisador e pianista Alexandre Dias.

 

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Ver também: 

http://oglobo.globo.com/cultura/disco-restaurado-traz-registro-inedito-da-voz-de-chiquinha-gonzaga-de-seu-solo-ao-piano-16966156

http://www.ims.com.br/ims/explore/acervo/noticias/a-voz-e-o-piano-de-chiquinha

http://www.chiquinhagonzaga.com/acervo/

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